Abordagem do Fórum Mundial

Em 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas e o Conselho de Segurança aprovaram a resolução chamada “Paz Sustentável”, com uma nova abordagem que pretende fortalecer significativamente o esforço internacional para prevenir, trabalhar em conjunto e unir esforços diante da onda de conflitos que estão se desenvolvendo ao redor do mundo.

O conceito foi escrito tendo como base a Agenda 2030 e respaldado pelos 17 ODS. A resolução reconhece que não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz, e não há paz sem desenvolvimento sustentável. Ademais, contém uma estrutura de resultados compartilhados com foco em pessoas, e abarca o nexo entre a construção da paz, o desenvolvimento e a ajuda humanitária, que pode ser usada para fortalecer a abordagem para a paz sustentável e alinhá-lo com a mais a agenda mais completa dos ODS.

A paz deve ser entendida, em termos gerais, como um objetivo e um processo para construir uma visão comum de uma sociedade, assegurando que se tomem em conta às necessidades de todos os segmentos da população, e cobrindo atividades destinadas a evitar o surto, a escalada, a continuação e a recorrência de conflitos. É uma tarefa e uma responsabilidade compartilhada dos governos e de todas as outras partes interessadas locais e nacionais, incluindo a sociedade civil.

Por sua vez, o conceito de “paz sustentável” está fortemente relacionado com a boa governança. Garantir uma governança local eficaz é a chave para reduzir desigualdades, melhorar as relações entre as pessoas e as instituições públicas e promover a paz no meio rural e urbano.

Como resultado das duas primeiras edições do Fórum realizadas em 2017 e 2018, se produziu uma agenda pública para facilitar a construção da abordagem de cidades de convivência e paz. Essa agenda, que pode ser consultada aqui, busca implementar políticas públicas e alianças territoriais para salvar vidas e transformar as nossas cidades em lugares mais felizes, contemplando medidas como:

  • Combate às violências interpessoais;
  • Defender a cidade contra a guerra;
  • Prevenir e combater os extremismos violentos;
  • Combate ao racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância;
  • Incorporar o processo migratório;
  • Lutar contra o crime organizado;
  • Prevenir e combater a corrupção;
  • Combater à violência contra as mulheres;
  • Garantir o direito à cidade.

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COVID 19 e seu impacto no Fórum

A pandemia da COVID 19 mostrou que a vulnerabilidade pode abranger a humanidade como um todo, seja por causas naturais ou por causas sociais. A crise quádrupla que esta pandemia causou (saúde, social, econômica, política) também mostra a necessidade de dar mais valor à cultura do comum, à convivência, às políticas de cuidados, a economia circular, a sustentabilidade, o equilíbrio com a natureza.

O impacto da pandemia e a resposta a ela mostra que as pessoas mais pobres e vulneráveis são as mais afetadas. Com a pandemia aumentaram o medo e a xenofobia, as fronteiras foram fechadas, tornando a vida dos imigrantes e refugiados ainda mais frágil. A solidariedade, como um valor reforçado diante das crises, compete fortemente com as histórias de ódio. As crianças enfrentam o grave problema da interrupção na educação, devido aos efeitos das políticas de confinamento. A violência contra as mulheres está aumentando diante da necessidade de convivência forçada.

O aumento do uso de redes sociais também traz um aumento do assédio, ao mesmo tempo que crescem as notícias falsas. Os extremistas, agora confinados, ameaçam voltar para as ruas com maior agressão. O impacto social e econômico da crise dobra o número de pessoas em situação de fome extrema e de insegurança alimentar aguda (em geral mais de 1 bilhão), e aumenta significativamente a população em situação de pobreza. O mesmo pode também levar ao desencanto e ao desespero, se não houver políticas de proteção coerente, e gerar novas ondas de violência social.

Na esfera política, a pandemia, ainda viva, gera incerteza sobre o papel futuro dos estados, das finanças, das prioridades de investimento e dos serviços públicos. O fortalecimento de democracias, representativas e participativas ou, ao contrário, de autoritarismos.

O conceito de “segurança nacional” deve ser aproximado do conceito de “segurança humana”. Investimento em armamento e tecnologia de segurança deve ter o espaço que merece, e a pandemia demonstra a necessidade de investimento em inovação para a ciência e a saúde. A convivência entre uma governança global e local se tornam mais importantes.

Em resumo, esta crise global, gerada por um novo vírus, significa uma mudança global em muitos países. esferas da vida. Representa um perigo para a convivência e a paz, assim como uma oportunidade de construir uma forma de viver melhor, mais saudável e mais justa. Por este motivo, e por outros mais, o Fórum, torna-se mais importante neste contexto.

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Em direção à terceira edição: Ciudad de México

A terceira edição do Fórum Mundial sobre Cidades e Territórios de Paz tem como objetivo dar continuidade aos fóruns anteriores, proporcionando inovações importantes.

Um dos objetivos do Governo da Cidade do México, liderado pela Dra. Claudia Sheinbaum Pardo, é contribuir para que as pessoas que habitam e transitam na cidade desfrutem dos direitos fundamentais, tenham acesso à justiça e a uma vida digna e de paz. Nesse sentido, o espírito que guia e que se procura proporcionar através do encontro é o de transformar as cidades em lugares que sejam inclusivos, seguros, sustentáveis, plurais e prósperos.

Caminhando em direção a esta visão, dado o impacto da pandemia global, e combinando a reflexão com os membros do COI, foi proposto que a terceira edição tenha uma ronda de reflexões sobre o tema das Cidades e Territórios de Paz. É por isso que a narrativa dessa reunião se concentrará no trabalho positivo de construção da paz, sem deixar de lado a importância de nomear a violência e os processos de educação que geram estratégias de resiliência comunitária que contribuem para a criação de outros cenários possíveis: cidades e territórios de paz.

Para este 3º Fórum Mundial sobre Cidades e Territórios de Paz, é importante retomar a concepção positiva deste conceito que a Associação Espanhola de Pesquisa para a Paz (AIPAZ) propõe a partir de sua perspectiva global e multidisciplinar:

“a concepção positiva de paz, entendida não apenas como a ausência de conflitos bélicos, mas também como uma presença de justiça social, desenvolvimento sustentável, exercício democrático da cidadania, o cumprimento dos direitos humanos dentro e entre estados, e, portanto, oposto a qualquer tipo de violência”. (AIPAZ, 2020).

A realização deste Fórum na Ciudad de México está, portanto, de acordo com as prioridades do Programa de Governo Municipal 2019-2024 e representa uma oportunidade tanto como para estruturar o diálogo e a cooperação entre os atores públicos, sociais e privados na construção de uma cultura de coexistência e paz, como para fortalecer a política pública de direitos humanos.

Ao mesmo tempo, a celebração na Ciudad de México permitirá que o Fórum seja projetado para a realidade dos países latino-americanos, onde as brechas entre riqueza e pobreza coexistem com tensões sociais e violência pessoal, estruturaisl e culturais de vários tipos.

Esta terceira edição também terá como objetivo consolidar o roteiro do processo vivo que vai além dos eventos mundiais, promovendo iniciativas de:

  • Troca de experiências;
  • Fóruns temáticos e regionais;
  • Campanhas de incidência política e promoção de valores;
  • Iniciativas de gestão do conhecimento: treinamento, pesquisa, divulgação;
  • Instrumentos de participação e comunicação.

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